" Meu pavor por gatos veio de um fato acontecido na infância. Estudava em um colégio de freiras, um internato, usava um uniforme que parecia um habito, com um véu, como os das irmãs, mas eu não queria usá-lo, tinha cabelos longos do qual gostava muito. Porém, as irmãs queriam que eu os cortasse.
Certa manhã um garoto da ala masculina me jogou um gato na cabeça, ele era pequeno e agarrou nos meus cabelos, comecei gritar, estava apavorada! O gato não saía da minha cabeça, preso ao meus longos cabelos. Quando por fim me livrei do bicho, fui reclamar do garoto para a madre superiora. A resposta ao meu protesto me deixou mais assustada.
- Porque não usa cabelos curtos como os das outras meninas, com isso não teria problemas com os gatos. Disse a madre superiora.
O sentimento de injustiça mais o medo de cortarem meus lindos cabelos longos me deixou em pânico. Tinha apenas 8 anos, me senti abandonada, insegura, ameaçada, infeliz e com raiva.
Minha reação não poderia ser outra, peguei o menino pela camisa e bati nele com toda força.
Quando mamãe chegou, na sexta-feira, acreditei que fosse tomar uma bronca. Que nada! Ela me apoiou, não permitiu que cortassem meu cabelo e me tirou do colégio.
Mas, o pavor pelos gatos permaneceu, acredito que me remete ao fato."
Ouvindo as histórias, contando as histórias...esta eu escutei de uma diretora de escola da rede pública do GDF.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Mudança para Brasília
O convite
Ele veio de mansinho, primeiro um telefonema, uma proposta, uma esperança. Depois quando se tornou oficial, ele começou desestruturar o que estava acomodado. Era real, a possibilidade se transformou em oportunidade. E em confusão: de desejos, de euforia, de alegrias, de medos...de sentimentos.
A decisão
Foi lenta e difícil.
Porém, não tínhamos muito tempo. Imediatamente o Wilson tomou a decisão dele de vir. E eu de acompanhá-lo. Algo dentro de mim praticamente ordenou que eu viesse com ele.
Não foi fácil. Tive que deixar para trás coisa e pessoas importantíssimas.
As primeiras dúvidas: Vão todos? Quem vai? Quem fica e como fica? Onde fica e com quem fica? Porque fica? Porque vai? Porque não vai??????????????????????????????
Foi difícil mesmo.
A primeira ideia foi mudar apenas o casal, os filhos ficariam na própria casa e nós alugaríamos um apartamento em Brasília para depois decidirmos. Quando veio a primeira surpresa. Thaís disse que viria também. Argumentou e resolveu.
As coisas começaram a mudar. Então, o “lar” muda? Pai, mãe, filha e gata. Faltava convencer os outros dois. Débora e Marcel. Comecei a pesquisar na internet sobre cursos de Terapia Ocupacional e Jornalismo na UNB de Brasília. Nada. Não existia o curso de T.O. ainda na UNB. Jornalismo sería mais fácil.
Achei que era pedir demais para uma “menina” de 20 anos deixar o curso, amigos e o namorado. Marcel ficou para companhia a irmã.
Optamos por irmos os três e deixarmos os dois em São Paulo, alugaríamos um apartamento para eles e a mudança do lar seria para Brasília.
Assim, ninguém ficou ou veio sozinho.
A mudança
Ocorreu em janeiro de 2007 e aqui estamos nós até hoje, acredito que não voltamos mais, embora a saudade dos filhos que ficaram seja muito grande e doída. Eles nos visitam, nós vamos para lá e assim matamos um pouquinho a saudade.
Hoje, aniversário da cidade, passa na minha cabeça este tempo que estamos aqui e as mudanças ocorridas em nossas vidas depois dessa mudança. Tudo que conquistamos e nossos sonhos futuros.
Enfim, a vida é feita de mudanças, ainda bem!
Já pensou se tudo fosse uma mesmice total?
Ele veio de mansinho, primeiro um telefonema, uma proposta, uma esperança. Depois quando se tornou oficial, ele começou desestruturar o que estava acomodado. Era real, a possibilidade se transformou em oportunidade. E em confusão: de desejos, de euforia, de alegrias, de medos...de sentimentos.
A decisão

Foi lenta e difícil.
Porém, não tínhamos muito tempo. Imediatamente o Wilson tomou a decisão dele de vir. E eu de acompanhá-lo. Algo dentro de mim praticamente ordenou que eu viesse com ele.
Não foi fácil. Tive que deixar para trás coisa e pessoas importantíssimas.
As primeiras dúvidas: Vão todos? Quem vai? Quem fica e como fica? Onde fica e com quem fica? Porque fica? Porque vai? Porque não vai??????????????????????????????
Foi difícil mesmo.
A primeira ideia foi mudar apenas o casal, os filhos ficariam na própria casa e nós alugaríamos um apartamento em Brasília para depois decidirmos. Quando veio a primeira surpresa. Thaís disse que viria também. Argumentou e resolveu.
As coisas começaram a mudar. Então, o “lar” muda? Pai, mãe, filha e gata. Faltava convencer os outros dois. Débora e Marcel. Comecei a pesquisar na internet sobre cursos de Terapia Ocupacional e Jornalismo na UNB de Brasília. Nada. Não existia o curso de T.O. ainda na UNB. Jornalismo sería mais fácil.
Achei que era pedir demais para uma “menina” de 20 anos deixar o curso, amigos e o namorado. Marcel ficou para companhia a irmã.
Optamos por irmos os três e deixarmos os dois em São Paulo, alugaríamos um apartamento para eles e a mudança do lar seria para Brasília.
Assim, ninguém ficou ou veio sozinho.
A mudança
Ocorreu em janeiro de 2007 e aqui estamos nós até hoje, acredito que não voltamos mais, embora a saudade dos filhos que ficaram seja muito grande e doída. Eles nos visitam, nós vamos para lá e assim matamos um pouquinho a saudade.
Hoje, aniversário da cidade, passa na minha cabeça este tempo que estamos aqui e as mudanças ocorridas em nossas vidas depois dessa mudança. Tudo que conquistamos e nossos sonhos futuros.
Enfim, a vida é feita de mudanças, ainda bem!
Já pensou se tudo fosse uma mesmice total?
domingo, 11 de abril de 2010
Fiz-me psicóloga.
“Quando chegamos da escola, a cozinha estava quieta... aquilo não era normal. Um silêncio ensurdecedor invadia o ambiente da casa. Meus irmãos e eu nos entreolhamos assustados e ansiosos. Ao fechar a porta o barulho causou resposta. Um grito abafado veio do quarto. Era um chamado sofrido, baixo, sem forças de minha mãe. Subimos a escada de madeira como em uma cavalgada, nos atropelando uns aos outros. Ao entrar no quarto, ela estava lá, deitada, como nunca fizera naquele horário. Em dia normal, o feijão estaria engrossando no fogão à lenha, a mandioca fritando e a mesa posta à nossa espera. Sentamos todos ao seu redor, menos eu: minha irmã mais velha bem próxima a sua face; do outro lado, Paulo, dois anos mais velho que eu e Ivone, a caçula. Eu permanecia estarrecido em pé ao pé da cama. Seus olhos cansados nos olhavam com um “q” de adeus, uma tristeza tão grande e um querer ficar imenso cheio de preocupações de mãe. Ela falou algumas palavras que, até hoje, por mais que eu tente, não consigo me lembrar... ou não quero. Era uma despedida, ela sabia que iria embora para sempre.”
Escutei esta estória tantas vezes contada pelo meu pai... não sei se foi exatamente assim, mas foi desta forma que eu a absorvi, intensa de sentimentos de abandono e saudades, seu olhar ao contar era o mesmo de um menino assustado frente à morte de sua mãe.
Provavelmente, veio daí o meu desejo em entender, desvendar os sentimentos e sofrimentos das pessoas para com a técnica e a prática da terapia poder ajudá-las. Fiz-me psicóloga.
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